Roberto Lucena - Repórter
Na próxima terça-feira, os estudantes defensores da implantação do passe livre em Natal prometem ocupar novamente a Câmara dos Vereadores. Será mais uma ofensiva do grupo com o objetivo de pressionar os parlamentares quando deverá ser votado o projeto de lei, de autoria do Executivo Municipal, sobre o tema. A convocação para o ato foi alardeada nas redes sociais desde a última sexta-feira.
Membros do Movimento Passe Livre (MPL), da recriada #RevoltaDoBusão, sindicalistas, partidários e manifestantes independentes devem marcar presença. Um outro grupo também é aguardado: os adeptos da tática “black bloc”. Longe de ser unanimidade entre os próprios manifestantes, os jovens que se vestem de preto e cobrem o rosto durante os protestos viraram alvo de críticas dos seus pares. Os mascarados são apontados como os responsáveis pelo esvaziamento das passeatas que invadiram a capital potiguar desde o ano passado.
Mas quem são os jovens que aproveitam as manifestações populares para, sob a proteção imaculada do anonimato, promoverem cenas de depredação do patrimônio público e privado, pichações e quebradeira de forma geral? O que pensam e o que querem aqueles que agem com violência?
A resposta da primeira pergunta é uma incógnita até mesmo para quem deveria coibir os atos mais extremistas. Até o momento, nenhum jovem foi condenado por promover desordem e baderna durante os atos que ganharam mais adesões a partir de junho passado. A polícia não sabe quantos são, de onde vêm e porquê agem assim. Os próprios “black blocs” não sabem quem eles são e preferem que seja assim.
Na última quarta-feira, a TRIBUNA DO NORTE conversou com um deles. O contato foi realizado após algumas condicionantes. Não seria revelado nome, idade ou qualquer outra informação que possa identificar sua identidade. O rapaz de corpo esguio prefere ser chamado de Raposa Negra. É estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – o curso não foi revelado – e mora com os pais em um bairro periférico da zona Sul de Natal.
Sobre a segunda pergunta, Raposa Negra é enfático. “Eu luto pela quebra do Estado, pela quebra do sistema. Não quero votar em nenhum representante. Quero que todos tenham o poder de decisão”, diz. As ideias do jovem revolucionário não são novas e estão baseadas na mesma filosofia do anarquismo dos séculos 17 e 18. Como forma de ação, os “blacks blocs” surgiram na Alemanha por volta de 1980. No Brasil, as táticas começaram a ser usadas com mais veemência a partir das manifestações de junho.
Em Natal, há registro de ofensivas mais agressivas ainda em 2012. Entretanto, Raposa Negra classifica a manifestação do dia 15 de maio deste ano como o marco decisivo para atuação do grupo. Segundo ele, os “black blocs” não agiram, apenas reagiram à ação policial. “O grupo agiu quando aconteceram as práticas de repressão policial. Sem a repressão policial, não há necessidade de defesa. No dia 15 de maio, começaram reprimindo e aí a gente viu que era preciso se defender, porque a gente quer alcançar nosso objetivo. A causa não vai morrer por causa da repressão. A luta é bem maior”, coloca.
http://tribunadonorte.com.br/noticia/desmascarando-os-black-blocs/265470
Na próxima terça-feira, os estudantes defensores da implantação do passe livre em Natal prometem ocupar novamente a Câmara dos Vereadores. Será mais uma ofensiva do grupo com o objetivo de pressionar os parlamentares quando deverá ser votado o projeto de lei, de autoria do Executivo Municipal, sobre o tema. A convocação para o ato foi alardeada nas redes sociais desde a última sexta-feira.
Membros do Movimento Passe Livre (MPL), da recriada #RevoltaDoBusão, sindicalistas, partidários e manifestantes independentes devem marcar presença. Um outro grupo também é aguardado: os adeptos da tática “black bloc”. Longe de ser unanimidade entre os próprios manifestantes, os jovens que se vestem de preto e cobrem o rosto durante os protestos viraram alvo de críticas dos seus pares. Os mascarados são apontados como os responsáveis pelo esvaziamento das passeatas que invadiram a capital potiguar desde o ano passado.
Joana Lima
Grupo é apontado como responsável por depredações
Grupo é apontado como responsável por depredaçõesMas quem são os jovens que aproveitam as manifestações populares para, sob a proteção imaculada do anonimato, promoverem cenas de depredação do patrimônio público e privado, pichações e quebradeira de forma geral? O que pensam e o que querem aqueles que agem com violência?
A resposta da primeira pergunta é uma incógnita até mesmo para quem deveria coibir os atos mais extremistas. Até o momento, nenhum jovem foi condenado por promover desordem e baderna durante os atos que ganharam mais adesões a partir de junho passado. A polícia não sabe quantos são, de onde vêm e porquê agem assim. Os próprios “black blocs” não sabem quem eles são e preferem que seja assim.
Na última quarta-feira, a TRIBUNA DO NORTE conversou com um deles. O contato foi realizado após algumas condicionantes. Não seria revelado nome, idade ou qualquer outra informação que possa identificar sua identidade. O rapaz de corpo esguio prefere ser chamado de Raposa Negra. É estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – o curso não foi revelado – e mora com os pais em um bairro periférico da zona Sul de Natal.
Sobre a segunda pergunta, Raposa Negra é enfático. “Eu luto pela quebra do Estado, pela quebra do sistema. Não quero votar em nenhum representante. Quero que todos tenham o poder de decisão”, diz. As ideias do jovem revolucionário não são novas e estão baseadas na mesma filosofia do anarquismo dos séculos 17 e 18. Como forma de ação, os “blacks blocs” surgiram na Alemanha por volta de 1980. No Brasil, as táticas começaram a ser usadas com mais veemência a partir das manifestações de junho.
Em Natal, há registro de ofensivas mais agressivas ainda em 2012. Entretanto, Raposa Negra classifica a manifestação do dia 15 de maio deste ano como o marco decisivo para atuação do grupo. Segundo ele, os “black blocs” não agiram, apenas reagiram à ação policial. “O grupo agiu quando aconteceram as práticas de repressão policial. Sem a repressão policial, não há necessidade de defesa. No dia 15 de maio, começaram reprimindo e aí a gente viu que era preciso se defender, porque a gente quer alcançar nosso objetivo. A causa não vai morrer por causa da repressão. A luta é bem maior”, coloca.
http://tribunadonorte.com.br/noticia/desmascarando-os-black-blocs/265470